Rose sentou na poltrona e pediu para uma pessoa bater a foto. Inventou a cara, a pose, o turbante. Ela gosta de turbantes. Usaria turbantes numa boa não fosse o espanto que causaria.
A cachorrinha foi uma grande paixão. O nome dela é Sancha (a esposa traída lá no Dom Casmurrro, lembra?).
Essa gatinha (cachorra) ficou em Minas quando ela teve que ir para São Paulo.
"Eu tinha ido de mala e cuia pra lá, papai estava doente. Então, eu estava feliz, porque perto dele , em Minas...E era à tarde, quando eu voltava do Cursinho onde eu dava aula."
Mas o cursinho quebrou e Rose teve que voltar para SP; não pôde levar a Sancha e sofreu com isso. Rose tem outras fotos desse tipo, com a Sancha e Yuri juntos. Mas deu as fotos a uma amiga e ela perdeu.
Corpo - verso
Roupa - reverso
Outro - anverso
Terra - adverso
Atmosfera - diverso
Sol - inverso
Nada - universo
A cena também me deixou impressionada. Pra mim elas foram enterradas vivas... Talvez, por algum dos crimes da inquisição. E matando saudades da Ana, encontrei esse "roteiro", melhor que na fotografia, para além da imaginação, eu publico.
duas freiras foram encontradas abraçadas em frente ao Mosteiro do Largo de São Bento
em São Paulo
a camêra se aproxima lentamente
uma delas carrega na face
a máscara mortuária
da figura imóvel de Sadan Hussein
as suas mãos brancas como unhas de cera
seguem as da outra
que é a cara de George W Bush
o luxo do bélico beira a manchete
o vídeo-maker filma par a par
os olhos fechados
como se a morte passara ali
elas ressonam
as cabeças amparadas ombro a ombro
por suas vestes
serpentinas e confetes
já não dançam
a repórter com a mão
toca uma delas
que se supeita
acorda a outra
não se fazem santas
não guardam verdade
cantam!
a noite
fugidias
do convento
cessaram fogo e se atrelaram em pensamento
tinham os mesmos gostos eram um alvoroço
por que não
uma festa à fantasia?
iriam vestidas de si-mesmas
com a máscara de Sadan de mais disfarce
o lacre o selo a aliança
era o segredo
da certeza da folia
não não sentiam medo
agora os jornais contariam a estrepulia
e seriam julgadas hereges
sem grandes complicações
na sacristia uma delas afiançava
o padre clamaria em que mundo estamos
roçando no ombro do coroinha
rezariam a missa a igreja em êxtase
e amanhã e depois
ninguém lembraria o caso
ou viraria lenda
porque as pessoas são assim
feitas de histórias
a repórter grita um corta meio sorridente
e sem mais nem nada
entra no carro da redação
diz ao motorista e ao vídeo-maker
que essas coisas não vendem
é preciso uma certa orquestração
pois eu juro. intervém o motorista que é poeta
que quase ouvi música
ali de junto delas
naquele abraço amparado
o momento
os corações extáticos
aquilo
não era mais solidão
(Ana Peluso)